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Cefaleia Infantil

Enxaqueca em crianças: como identificar e quando investigar

4 de agosto de 2026 · 3 min de leitura · Por Dr. Flawber Antônio Cruz

Chega no consultório uma criança de nove anos que falta aula toda sexta-feira por dor de cabeça. A mãe já tinha passado por três pediatras achando que era manha de fugir da prova. Não era. Era enxaqueca, e a dor era real o suficiente para deixá-la deitada no escuro por duas horas.

Dor de cabeça em criança é comum. A maior parte é passageira, ligada a sono ruim, fome, sol quente ou tempo de tela. Mas existe um grupo de crianças, e não é pequeno, em que a dor tem um padrão que merece nome próprio: enxaqueca.

Como a enxaqueca aparece na infância

Diferente do adulto, a criança com enxaqueca nem sempre descreve dor latejante de um lado só. É comum a dor ser nos dois lados, na testa ou ao redor dos olhos. O que ajuda a diferenciar de uma dor de cabeça comum é o conjunto de sinais junto com a dor:

  • Náusea ou vômito durante a crise
  • Incômodo com luz ou som forte, a ponto de a criança querer ficar no escuro e quieta
  • Dor que piora com atividade física e melhora deitada
  • Palidez ou olheira visível durante o episódio
  • Em alguns casos, dor de barriga forte antes ou durante a crise, sem outra explicação

Um detalhe que costuma passar despercebido: crianças pequenas às vezes não sabem dizer "dor de cabeça". Aparecem só com choro, irritabilidade e vontade de dormir no meio do dia.

Quando vale investigar

A maioria das cefaleias na infância não indica nada grave. Ainda assim, alguns sinais mudam a prioridade da avaliação:

  • Dor que acorda a criança durante a noite
  • Piora progressiva ao longo de semanas
  • Dor associada a alteração de força, visão ou equilíbrio
  • Início após uma pancada na cabeça
  • Febre junto com a dor, especialmente se vier com rigidez de pescoço

Nenhum desses sinais confirma nada por si só. Servem para separar o que pode esperar a consulta de rotina do que precisa de avaliação mais rápida.

O que muda no dia a dia depois do diagnóstico

Identificar os gatilhos individuais de cada criança rende mais resultado, no consultório, do que qualquer outra medida isolada. Sono irregular, pular refeição, tempo de tela prolongado sem pausa e desidratação aparecem com frequência como gatilhos, mas o padrão varia de criança para criança. Parte da primeira consulta é justamente montar, junto com a família, um diário de crises: quando aconteceu, o que a criança tinha feito nas horas antes, quanto durou.

O tratamento combina orientação sobre rotina, manejo da crise quando ela acontece e, em casos com frequência maior, acompanhamento medicamentoso definido individualmente. Não existe protocolo único que sirva para toda criança com enxaqueca, e desconfio sempre de conduta padronizada nessa área.

A boa notícia é que a maioria das crianças melhora com o tempo e com o manejo correto, e segue a vida escolar sem que a dor vire um obstáculo recorrente. Se seu filho falta escola por dor de cabeça mais de uma vez por mês, essa já é razão suficiente para conversar com um neurologista infantil.

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Dr. Flawber Antônio Cruz

Médico, Neurologia Infantil, CRM-PB 5122

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