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Epilepsia

Epilepsia infantil: mitos e verdades sobre as crises convulsivas

11 de agosto de 2026 · 3 min de leitura · Por Dr. Flawber Antônio Cruz

A primeira crise que uma família presencia é quase sempre a mais assustadora, e quase sempre errada em algum detalhe do que fazer. Isso não é falha de ninguém. É que boa parte do que se aprende sobre convulsão vem de filme, de conversa de corredor, de um post qualquer. Trabalho com epilepsia pediátrica há duas décadas, incluindo treinamento internacional específico na área, e separei aqui o que realmente importa saber.

O que fazer durante uma crise

Deite a criança de lado, num espaço sem objetos que possam machucar, e cronometre o tempo. É basicamente isso. Não force nada na boca dela, não segure os braços e as pernas tentando impedir os movimentos, e não jogue água. A maioria das crises dura menos de cinco minutos e termina sozinha.

Procure atendimento de urgência se a crise passar de cinco minutos, se uma segunda crise vier logo depois da primeira sem a criança recobrar a consciência, ou se for a primeira crise da vida dela.

Colocar objeto na boca não evita que a criança engula a língua

Não existe engolir a língua durante uma crise. Isso é anatomicamente impossível. Colocar qualquer objeto na boca de quem está em crise, incluindo os dedos de quem está ajudando, só aumenta o risco de machucar dentes, gengiva e a própria mão de quem tenta ajudar.

Epilepsia não é contagiosa

Não é. Também não é, na maioria dos casos, sinal de possessão ou castigo, ideias que ainda escuto de famílias vindas de contextos onde essas explicações circulam. Epilepsia é uma condição neurológica, com bases biológicas bem descritas, e trato isso abertamente na primeira consulta porque o estigma em volta da doença muitas vezes machuca mais que a doença em si.

Nem toda crise é epilepsia

Uma crise febril em bebê, um desmaio por queda de pressão, um episódio de soluço intenso em recém-nascido: tudo isso pode parecer crise convulsiva para quem nunca viu uma de perto, e frequentemente não é. Por isso a investigação detalhada importa tanto quanto o próprio evento. Uma crise isolada, sem repetição, nem sempre significa epilepsia.

Como é feito o diagnóstico

O ponto de partida é sempre a descrição detalhada do episódio: o que a criança estava fazendo antes, como começou, quanto tempo durou, como terminou. Peço com frequência que a família grave em vídeo, se acontecer de novo, porque isso vale mais que qualquer descrição verbal.

O eletroencefalograma, o EEG, ajuda a mapear a atividade elétrica do cérebro e é uma peça importante da investigação, mas não é o único critério: crianças com epilepsia podem ter EEG normal entre as crises, e o exame isolado nunca fecha ou descarta o diagnóstico sozinho.

A maioria das crianças com epilepsia leva vida normal

Com acompanhamento adequado, boa parte das crianças com epilepsia frequenta escola regular, pratica esporte e cresce sem restrições importantes. O tratamento é individualizado, ajustado ao tipo de crise e à resposta de cada criança, e reavaliado ao longo do tempo. Não é uma sentença. É uma condição que se acompanha.

Se seu filho teve um episódio que parece crise convulsiva, não espere a segunda para procurar avaliação. E se já tem o diagnóstico e sente que falta alguma peça na explicação, essa dúvida também tem espaço na consulta.

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Dr. Flawber Antônio Cruz

Dr. Flawber Antônio Cruz

Médico, Neurologia Infantil, CRM-PB 5122

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Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consulta médica. Em caso de dúvidas sobre a saúde neurológica do seu filho, procure um neurologista infantil.

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